terça-feira, 27 de março de 2018

O ódio na política e a política do ódio, por Henrique Fontana


O país ainda estava em luto por Marielle quando a primeira pedra foi arremessada contra o ônibus do ex-presidente Lula. A violência premeditada de grupos de direita armados, apoiados por milícias fascistas, contra pessoas desarmadas que acompanhavam Lula chocou o estado.

E como o assassinato de Marielle e as agressões sofridas por Lula durante a caravana no Rio Grande do Sul se relacionam no Brasil atual? Os que atiraram em uma mulher negra, homossexual, de esquerda, acompanhados dos que promovem ataques contra ela nas redes sociais, tem em comum com os agressores de Lula, a mesma natureza de ódio que ecoou do som das panelas que anunciaram um tempo de intolerância e exceção. Patos e paneleiros não são mais capazes de esconder o desfecho violento da trama que golpeou a democracia.

O tiro que matou Marielle e as pedras arremessadas contra Lula foram disparadas há muito tempo, e tem as digitais dos que criminalizam a esquerda política, desprezam os direitos humanos, atacam exposições de arte, perseguem estudantes e movimentos sociais, e aplaudem a intervenção no Rio de Janeiro. Marielle nos mostrou até onde eles podem ir. Os ataques à Caravana de Lula, com pedras, armas e relhos que desejam ser chibatas, revelam a opção pela violência de uma direita fascista organizada desde o golpe contra a presidenta Dilma.

A mobilização pelo ódio, promovida por estes grupos protofascistas, contra pobres, negros, quilombolas, mulheres, indígenas, comunistas, homossexuais, artistas, petistas, ou qualquer pessoa que reaja a sua intolerância, conta com o silêncio irresponsável de parte da grande mídia, e da centro-direita dita democrática. Mais grave, alguns setores dissimulam e invertem juízos na tentativa de transferir a Lula e ao PT, por muito tempo “acusados” de realizar a política “paz e amor”, a responsabilidade pela origem da violência. Ora, foram justamente o silêncio, a culpabilização das vítimas pela violência que sofrem, e o apoio velado de diferentes setores da sociedade que permitiram o crescimento de manifestações nazifascistas que resultaram em regimes totalitários. É o que a história nos traz como exemplo e que aqui se repete como tragédia.

A violência e o ódio como método de mobilização política não devem ser preocupações apenas de um partido ou de uma determinada força política, eles devem receber o repúdio, em alto e bom tom, de toda a sociedade, e uma resposta à altura de todos aqueles que defendem a liberdade e o respeito às diferenças. O Brasil não será um país melhor se permitirmos que o ódio vença a esperança, e o medo cale a democracia.

Henrique Fontana - deputado federal (PT-RS)

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