sexta-feira, 25 de julho de 2014

Fazenda em que Aécio construiu aeroporto já foi flagrada com trabalho escravo

Imagem de satélite mostra onde MP fez fiscalização de trabalho escravo (na seta) e o aeroporto construído com dinheiro público, em cinza (Reprodução/Google)

A fazenda do tio-avô Múcio Tolentino, na qual o candidato tucano ao Planalto, senador Aécio Neves (PSDB-MG) construiu com dinheiro público (R$ 14 milhões) o aeroporto da família Neves, em Cláudio (MG), já foi flagrada por trabalho análogo à escravidão e por isso figura na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho. Em 2009 foram resgatados 80 trabalhadores submetidos à essa condição na Alpha  Destilaria da família Tolentino, exatamente ao lado do aeroporto construído por Aécio.
A denúncia está publicada no site Entrefatos. Múcio Guimarães Tolentino, o tio-avô do candidato Aécio Neves, ex-prefeito de Cláudio (a pouco mais de 100 km de Belo Horizonte), é dono da fazenda Santa Isabel, que o então governador Aécio Neves escolheu para desapropriar uma parte e  construir o aeroporto. Aécio tem uma fazenda ao lado do aeroporto, herdada de sua avó materna.
Conforme relata a reportagem da Folha de S.Paulo, que trouxe a 1ª denúncia sobre o aeroporto dos Neves, Múcio Tolentino tem a chave, controla o acesso à pista e, embora  seja pública, ela só é utilizada com autorização dele. O sobrinho  Aécio, segundo a denúncia, usa o aeroporto controlado pela família Tolentino, quando vai descansar em sua fazenda, vizinha à do tio, embora a área ainda não esteja homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Com dinheiro público, um sobrinho generoso com a família
Conforme noticia o Entrefatos, em 2005 a Alpha Destilaria, que tinha como representante legal Marcelo de Campos Tolentino, contou com apoio direto do governador Aécio Neves para reativar sua produção de álcool combustível. O Diário Oficial do Estado de Minas, de 28 de setembro de 2005,  publica protocolo de intenções entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado e a destilaria, com assinatura do próprio governador Aécio, para “viabilizar a reativação da Alpha, de sua unidade industrial localizada no município de Cláudio (MG), destinada à produção de álcool combustível hidratado”.
O documento estabelecia a possibilidade de empréstimos à Alpha Destilaria. O representante legal da empresa no convênio foi o empresário Marcelo de Campos Tolentino, que contribuira com doação financeira para a campanha  de Aécio em sua 1ª eleição de governador em 2002. Outro representante da Alpha no convênio foi Marina Tolentino, diretora financeira da empresa.
Quatro anos depois, em 2009, a mesma empresa que fora reativada com a ajuda do governador, foi flagrada com trabalhadores em situação análoga à escravidão – na  qual o trabalhador não tem registro em carteira profissional, nenhum direito social e trabalhista e é impedido, à força, de deixar o local de trabalho.
A fiscalização do Ministério do Trabalho flagrou e resgatou 80 deles nas fazendas Santa Isabel e Santo Antônio, onde opera a Alpha Destilaria. A notícia, à época, não ganhou manchetes dos jornais porque em Minas Aécio Neves governou oito anos (2003-2010) com mão de ferro sob a mídia, exercendo o mais absoluto controle e censura: ela não podia criticá-lo e só publicava o que o governo dele queria, sob pena de ter cortada na mesma hora a publicidade oficial que recebia.
Destilaria da fazenda-sede do aeroporto consta em “lista suja”
Desde junho de 2013, a Alpha figura no cadastro de empregadores flagrados com mão de obra análoga à de escravo, a “lista suja” do Ministério do Trabalho. Constar dessa lista impede as empresas, por exemplo, de contratarem  empréstimos junto a bancos públicos federais ou fornecer produtos para mais de 400 empresas – entre as quais a Petrobras – signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, com a Petrobras.
O aeroporto dos Neves, revelado inicialmente pela Folha de S.Paulo e a ajuda de Aécio a Alpha Destilaria, denunciada pelo Entrefatos, mais o trabalho escravo flagrado nas fazendas Santa Isabel e Santo Antônio e as relações entre os Tolentino e o ex-governador Aécio mostram a mistura entre o público e o privado feita pelo candidato tucano ao Planalto e, como bem lembra o site “remontam a tristes lembranças da herança escravocrata que ajudou a consolidar relações de poder no Estado mineiro”.

Leiam também O caos aéreo mineiro, artigo do especialista em logística e infraestrutura José Augusto Valente, publicado no Portal Carta Capital.

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