sexta-feira, 25 de julho de 2014

Aécio governador assinou decreto dando nome de tio ao aeroporto da família

Então leva a assinatura do governador Aécio Neves (2003-2010), agora candidato tucano ao Planalto, a promulgação do decreto que deu o nome de “Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino”,  um tio-avô seu, ao aeroporto de Cláudio (MG), construído na fazenda do outro tio-avô, Múcio Tolentino? O aeroporto, como vocês acompanham desde 2ª feira pp. foi construído ao custo de R$ 14 milhões, por Aécio, em 2010, na fazenda de Múcio, com dinheiro público de Minas Gerais.

O projeto que denominou o “Aeroporto Deputado Oswaldo Tolentino”, transformado em lei pela Assembleia Legislativa de Minas, é de autoria do agora deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), aliado de Aécio. Oswaldo Tolentino era irmão de Múcio Tolentino, o tio-avô de Aécio. Múcio é o dono das terras em que foi construída a obra do governador Aécio em Minas e mantém consigo as chaves do aeroporto, utilizado várias vezes já pelo sobrinho presidenciável, embora ainda não homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
O projeto de denominação do aeroporto, de autoria do deputado Domingos Sávio é ilustrativo do estilo Aécio Neves de administrar: durante os 8 anos em que esteve à frente do Palácio da Liberdade,  ele governou por “leis delegadas”, sistema que existe em Minas pelo qual ele mandava os projetos prontos e à Assembleia só cabia aprovar. A sanção dele ao decreto dando o nome do tio-avô ao aeroporto, não tem nada a ver com nepotismo, vá lá, mas tem um certo cheiro de culto à personalidade, ao sobrenome da família, certo? É mistura do público com o privado.
Culto à personalidade
Completamente desacostumado à crítica, tendo governado Minas com mão de ferro, controle absoluto sobre a mídia – cortava a publicidade oficial dos veículos que o criticavam – o candidato Aécio Neves se queixa hoje nas redes sociais do noticiário que veio na esteira da denúncia de que ele presenteou a família com um aeroporto construído com dinheiro público na fazenda do tio-avô.
Nas redes sociais o senador garante que não houve irregularidade na construção do aeroporto, que a obra não beneficia seus parentes e, um fato novo: informa que a área escolhida para a construção foi a alternativa mais econômica para o governo mineiro que ele comandava.
O problema do senador está exatamente aí: desde que saiu a denúncia do aeroporto domingo, na Folha de S.Paulo, a cada dia ele dá uma versão-explicação que não consegue explicar nada. Ele dá uma, o PSDB dá outra e a coordenação de sua campanha uma terceira. E nunca uma versão bate com a outra.
O PT pede informações, apuração, abertura de inquérito, audiência pública…
É por isso, também, que o  líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), protocolou na Casa  dois requerimentos de informações sobre a construção deste aeroporto para a família Neves. Vicentinho anunciou, também, que nesta 5ª feira vai protocolar outro requerimento solicitando a realização de audiência pública para debater a construção do aeroporto na fazenda do tio-avô do candidato tucano, bem ao lado de fazenda que Aécio herdou da avó materna e onde descansa usando o aeroporto para aterrissagens e decolagens.
Num dos requerimentos o líder petista pede ao Ministério da Defesa, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, que informe os pousos e decolagens ocorridos no aeroporto de Cláudio; no outro solicita à Secretaria de Aviação Civil que preste esclarecimentos sobre a construção e o funcionamento do aeroporto. Na 3ª feira o PT entrou com pedido de abertura de inquérito na Procuradoria Geral da República (PGR) para investigar a  utilização irregular do aeródromo.

Vejam também o texto A explicação de Aécio não decola, publicado no jornal Folha de S. Paulo da última quarta-feira (23.07)

Foto: Valter Campanato/ABr

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