terça-feira, 10 de junho de 2014

Sindicalista diz que resultado de eleições da Fetag sugere mudança em direções de sindicatos rurais na PB?

Diante dos resultados apresentados nas eleições para a direção da Fetag, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Paraíba realizada no último dia 29 de maio em que a direção liderança por Liberalino Ferreira de Lucena que já dirige a entidade há 27 anos ganhou a credencial para dirigi-la por mais quatro, a componente do Polo Sindical da Borborema e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais(foto), disse que sem renovação nas direções dos sindicatos fica difícil desenvolver mudanças na Fetag que teria papel importante para liderar, em parceria, o conjunto das adoções de práticas tecnológicas via recursos de políticas públicas de governos capazes de melhorar a qualidade de vida das famílias agricultoras espalhadas por todos os municípios no Estado da Paraíba.

Durante entrevista falando sobre o conjunto das ações desenvolvidas pelos sindicatos de trabalhadores rurais integrados em diversas microrregiões no estado da Paraíba que vêm mudando para melhor a qualidade de vida das famílias e comunidades pelo estado a presidente daquele sindicato de trabalhadores rurais, Maria Anunciada, falou sobre a discussão política trabalhada durante mais de dois meses evidenciando as políticas públicas defendidas e conquistadas pelas entidades articuladas na Rede ASA que vêm mudando o panorama da agricultura familiar, com ênfase na qualidade de vida de quem produz na agricultura, do meio ambiente e do consumidor, ensejando o papel que a Fetag teria para fortalecer essas ações á medida em que seja promotora na construção do diálogo dessas diversificadas vivências e experiências, prática que, no entender daquela diretora, falta na entidade que tem função de mobilizar o diálogo dos mais de 200 sindicatos de trabalhadores rurais espalhados em todo o Estado da Paraíba. “Com as direções dos sindicatos atrasadas jamais faríamos uma mudança na federação, inicialmente teria que se fazer uma mudança nas direções sindicais para que tivessem um outro olhar, não tivessem o pensamento igual ao atual presidente da federação de que sindicato não é pra construir cisternas, que federação não é pra construir cisternas (implementações). Claro que não, porque nós não estamos trabalhando como construtoras, mas sim de elaborarmos projetos de armazenamento de água dentro das propriedades, de manejo de água dentro das propriedades para que as famílias possam ter acesso direto a água, porque hoje nós vemos a capacidade hídrica que temos aqui em nosso município(Queimadas), se a gente for contabilizar todas as cisternas que hoje nós temos construídas aqui no município, cada uma com 16 mil litros na porta de casa a gente vai ver o volume de água que a gente tem em nosso município. E quantos 16 mil litros de água passou pelo telhado dessas famílias e foram embora de riacho abaixo porque não tinha onde guardar e que a gente sabe que as políticas públicas de governo estadual e governo federal em que quando se falava em período de estiagem, que iria trazer políticas públicas era pra acabar com a seca e que nunca acabou, que quando fazia um grande açude nem todas as famílias se beneficiavam daqueles grandes açudes devido as distâncias de suas residências daquele açudes e que hoje as famílias podem ter acesso a primeira água junto de casa, a segunda água também junto de casa e isso é muito gratificante pra elas”, evidencia exemplificando os 15 municípios do Polo Sindical da Borborema que atualmente contam com ampla estrutura de convivência com a realidade semiárida que vão de cisternas de placas para a primeira água, cisternas calçadão, cisternas de enxurradas, barragens subterrâneas, tanques de pedras, barreiros trincheiras com capacidade para acúmulo de meio milhão de litros como segunda água destinada ao processo complementar da produção agrícola; execução de diversos fundos rotativos solidários envolvendo especialmente jovens rurais no processo produtivo; criação de diversas feiras agroecológicas com venda direta de produtos diversificados da agricultura familiar ao consumidor do meio urbano e rural; organização das comunidades e famílias agricultoras para a intensificação do processo produtivo e venda da produção nos Programas de Aquisição de Alimentos(PAA-Conab) do Governo Federal e Programa Nacional de Alimentação Escolar(PNAE) até as mobilizações e discussões da violência no meio rural que vem provocando a êxodo rural das famílias que buscam as periferias das cidades no interior do estado, práticas que vem mudando a realidades dos municípios em que os sindicatos não se limitam em apenas discutir a aposentadoria do homem e da mulher camponeses.
Em entrevista direta ao público ouvinte das Rádio Serrana de Araruna, Rádio Queimadas FM e Rádio Bonsucesso de Pombal, Barbosa Morais esclareceu que são inúmeros os sindicatos que ainda estão se mantendo da orientação dos agricultores sobre benefícios previdenciários, prática que tem feito com que essa grande maioria de sindicatos não realizem assembleias mensais ordinárias e quando fazem percebem esvaziamento dessas assembleias e descrédito diante da comunidade camponesa que não encontra motivação para se tornar aliada na luta e diz acreditar que com a publicação junto a sociedade rural e urbana paraibana das mudanças de hábito nos sindicatos da Rede ASA e nas consequentes melhorias na qualidade de vida da comunidade camponesa nesses municípios integrados, importantes mudanças acontecerão naqueles municípios que ainda vivem a crise de percepção de que a realidade política brasileira sofreu importantes mudanças com a inclusão da classe trabalhadora nas diversas instâncias de poder e que essa percepção crítica provocará mudanças nesses sindicatos já que as comunidades passarão a disputar essas direções sindicais na perspectiva de gerar maior envolvimento social e mudanças políticas no meio rural de cada município.
Para aquela liderança as transformações acontecem a partir das lutas e organizações da base exemplificando que a construção se inicia na comunidade através da associação de agricultores e moradores rurais, passa pelo sindicato que deve sofrer impactante estímulo de participação social camponesa para que, estas, possam figurar como sujeitas na construção das políticas no município transformando assim o sindicato e a sociedade e, a partir dessas transformações chegar a fazer transformações na Federação dos Trabalhadores na Agricultores que sem a participação ampla da sociedade camponesa em cada sindicato seria apenas federação de diretores sindicais. “Primeiro que eu avaliou a importância do trabalhador rural em toda a estrutura organizacional do movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do Brasil, porque a gente analisando percebe o seguinte: as instâncias do movimento sindical, município, sindicato; estado, federação; e a nível de país a Confederação Nacional do Trabalhadores na Agricultura e toda essa estrutura sindical ela depende da base que são os trabalhadores que elegem os seus diretores na base no município, que o município está na incumbência de também eleger seus diretores para a Federação e também ao mesmo tempo eleger os diretores ara a confederação, em Brasília, e a gente percebe que quando a estrutura vai mal lá na base, a tendência é na segunda instância também ser mal, quando os agricultores não sabem escolher o seu dirigente sindical na base, então o dirigente sindical da base vai assumir o sindicato, mas ele não está pensando como um todo nos trabalhadores, ele vai estar pensando mais individualmente, mais nas quatro paredes do sindicato do que os próprios agricultores, então lá em João Pessoa, lá na federação também ele não vai estar querendo escolher dirigentes que estejam pensando nos problemas do estado, mas que estejam pensando muito mais dentro das quatro paredes de uma federação que nós temos e, aí, nós nos preocupamos muito com isso porque muitas vezes o agricultor está pagando um preço que ele não sabe porque está pagando, porque é leigo, porque tem pouco conhecimentos e não sabe, sequer as instâncias do movimento sindical porque o próprio dirigente não tem dito a ele que existe um sindicato no município e existe uma federação lá em João Pessoa e qual é o papel da federação dentro do estado. Muitas vezes o agricultor não sabe nesses municípios, aqui em Queimadas nós temos essa preocupação porque nós passamos por processos de formações direto, nós aprendemos muito em seminários, em intercâmbios que nós participamos e em tudo que nós temos saído de dentro do município pra participar e que nós temos aprendido nós temos transmitido para os agricultores, temos multiplicado esses conhecimentos para os agricultores e deixamos bem claro pra eles que dentro do país tem um movimento sindical que tem suas raízes lá na base que são eles e quando a gente passa por problemas é porque a base não está bem, porque a base não está bem informada, porque a base não está conscientizada, então eu aço que a gente ter uma mudança no movimento sindical na Paraíba, no que diz respeito a federação eu acho que tem que primeiro ser conscientizado são os agricultores que estão escolhendo seus dirigentes sindicais”, explica ao dialogar com nosso público ouvintes de nossas emissoras parceiras nas diversas microrregiões do estado da Paraíba, Rio Grande do Norte dentre outros.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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