terça-feira, 17 de junho de 2014

Luiz Inácio falou: fez o diagnóstico do cenário político e mostrou a trilha da campanha

A campanha eleitoral deste ano vai ser dura. Não é o que queríamos, evidentemente, mas nossos adversários, representantes da elite, do grande capital e da velha, conservadora, e reacionária mídia já a fizeram enveredar por uma trilha difícil e sem retorno, da pregação da luta de classes, do preconceito, do ódio, do embuste e da mentira.
Coube ao ex-presidente Lula mais uma vez, e nem foi numa convenção nacional, mas numa regional – a que escolheu o candidato do PT a governador de São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha – desnudar o foco central da questão e apontar o rumo aos petistas, o que os adversários armaram, e o caminho a ser trilhado para combater o ódio e vencer o pleito de outubro.
No fim de semana, na convenção de Padilha realizada neste domingo num ginásio de esportes no bairro paulistano do Canindé, o ex-presidente mostrou o cenário político e da disputa eleitoral que já vivemos e deu o tom da campanha. Ele comparou o pleito nacional deste ano à sua 1ª eleição em 2002, e alertou que, se há 12 anos PT teve de “fazer uma campanha para a esperança vencer o medo”, agora terá de fazer “uma campanha para a esperança vencer o ódio”. Foi repetido, também, por outros líderes petistas que discursaram na convenção.
Resposta ao infeliz “tsunami” de Aécio
Foi uma resposta, ainda, ao candidato tucano ao Planalto este ano, senador Aécio Neves (PSDB-MG), que na convenção que referendou sua candidatura presidencial no sábado afirmou que “um tsunami vai varrer o PT do governo”. O ex-presidente petista lembrou que seu antecessor FHC -  ao lado de Aécio na convenção tucana – comprou votos para para aprovar (em 1997) a emenda constitucional que permitiu sua reeleição um ano depois.
“Na convenção deles vi o ex-presidente falar com a maior desfaçatez ‘é preciso acabar com a corrupção’. Ele devia dizer quem é que estabeleceu promiscuidade entre Executivo e Congresso Nacional quando ele começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição em 1996″, afirmou.O ex-presidente Lula considerou que FHC agiu com “desfaçatez”, também, ao falar sobre corrupção em gestões petistas,  quando ela existe é nos governos tucanos “na área da saúde, uma das mais sagradas para o povo brasileiro”.
O ex-presidente lembrou que a metáfora do tsunami utilizada por Aécio remete à declaração feita em 2005 pelo ex-senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), então presidente nacional do seu partido – hoje DEM -, que em referência ao PT, previu que o país se veria “livre dessa raça por pelo menos 30 anos”. Recordou que “na convenção do PSDB eles repetiram aquilo que o Bornhausen falou em 2005. Precisamos acabar com essa raça. E nós não acabamos, quem acabou foi o PFL”.
Governos do PT significam aumento do emprego e da renda
Muito feliz, também, a participação da presidenta Dilma na convenção petista de Padilha. Impossibilitada de comparecer por ter de recepcionar em Brasília a chanceler alemã Ângela Merkel, a presidenta gravou um vídeo de apoio ao candidato no qual relacionou as melhorias na qualidade de vida dos brasileiros promovidas pelos governos petistas, como o aumento da renda e do emprego.
No vídeo, exibido em telão na convenção deste domingo, a presidenta alertou, também, que o Estado de São Paulo “não pode mais confiar em volume morto” e que Padilha “é o volume vivo de tudo o que São Paulo precisa”. O ex-presidente Lula tratou da questão, associando-a ao “tsunami’ da ameaça de Aécio. “Por que não colocam o tsunami pra trazer de volta a água do Cantareira?”, perguntou. Padilha também se referiu ao comentário de Aécio. “Falam em tsunami, mas de água o PSDB não entende. O tsunami deles não leva água para a casa do povo paulista”.
Referiam-se a falta d’água no Estado e ao volume morto do Sistema Cantareira, a água do fundo do reservatório, que começou a ser utilizada pela estatal SABESP em maio pp. e com a qual o governo tucano do Estado tenta despistar que, por falta de planejamento e obras, esteja submetendo há meses milhões de paulistanos da capital e Grande São Paulo a um inédito racionamento de água. Geraldo Alckmin, que tenta a reeleição para cumprir um 4º mandato de governador, jura que não há racionamento.
Lula: “Os bandidos tomaram conta” do Estado
O ex-presidente Lula criticou Alckmin diretamente pela violência no Estado e gestão na área da segurança pública e das penitenciárias paulistas. “Os bandidos tomaram conta e o governador não consegue sequer tirar o celular?”, perguntou, em referência à promessa do governador, não cumprida, de instalar bloqueadores de celulares nos presídios.Padilha, por sua vez, ponderou ser impossível fazer “a mudança real e necessária para os paulistas ouvindo apenas os patrões e quem sempre defendeu os interesses dos mais ricos”, como governam os tucanos.
Como vocês veem por todos os pronunciamentos desta convenção – a partir do feito pelo ex-presidente Lula – demonstra-se mais uma vez que o PT é o partido que defende os mais pobres e os adversários, os que defendes os ricos e os mais ricos. E que este é o caminho que têm de ser mostrado e explorado nesta campanha – isto é a comparação entre o que foram os governos do PT e os dois governos anteriores dos tucanos de FHC.


(Foto: Rodrigo Petterson)

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